Infinidade vazia

Uma das coisas que mais me “incomodava” em arquitetura, era o fato de eu sempre estar vendo blogs, salvando imagens, lendo revistas, buscando referências e – no momento em que sentava para projetar, tudo desaparecia – e por mais e mais referências e ideias eu tivesse, a criatividade nunca evoluía de fato. (Dias esses, em que eu era produtiva né, considerando que 79,3% do meu tempo eu passava, na verdade, pensando em como seria legal se eu fosse produtiva)

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“Lindamente produtiva hoje”

O fato de salvar 150 imagens por dia, passar o olho em 4 ou 5 blogs, folhear 2 revistas, ler 1 artigo pelo menos, me fazia pensar: urrul tô abalando. Mas toda aquela informação não tinha sido absorvida, não tinha se tornado uma referência projetual. Apesar da memória fotográfica, praticamente 87% (dados segundo a minha equipe de produção) do que eu via, desaparecia. O motivo? Falta de atenção.

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“Que ótimo! Hoje estou produtiva, concentrada… olha um copo, parado, isso daria um belo snap né?.” – Meu ponto forte: ser atenta aos detalhes.

Ligada no piloto automático, quase sempre, me deixava levar pela qualidade das imagens, por textos mais simplificados. Quando via algo interessante, imediatamente salvava nos favoritos e…, e quase sempre só. Nunca mais lia. A procrastinação transcendia todos os limites aceitáveis. E nas férias, após me formar, achei itens adicionados na pastinha Ler, quando estava no primeiro ano de faculdade. Nunca lidos. Estou de parabéns!

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Atualmente a pasta Ler conta com 2 versões estendidas – Ler Logo e Ler um dia – Juntas somam 578 itens. (Fonte: Produção)

Pensar em como aplicar aquilo? Muito menos, quase nunca. Apenas olhava e pensava “um dia isso pode ser útil” – e começava o processo: Salvar imagem como…  Arquitetura – Imagens – Etc – Etc. E então nunca mais via aquilo, ficava lá no limbo. Foi assim que surgiu minha biblioteca pessoal. (Por isso compartilhei tudo, já que nunca ia ler tudo mesmo)

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“Desconheço aproximadamente 41,65% desses 26,0GB”

No momento em que recebia o roteiro de algum trabalho na faculdade, principalmente projeto, já imediatamente começava outro processo, (não digo inútil, afinal me formei né), mas um processo falho, que hoje, tendo consciência do que ele representa, entendo que poderia ter potencializado sua metodologia, se tivesse entendido isso naquela época.

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Divagar no yahoo respostas – Com 500 favoritos na pastinha Ler! (Buscando respostas para a dúvida mais cruel da minha vida: ARQ OU ENG? – ps. se você acreditou, você não merece minhas ironias.

O processo, consistia em criar a pasta da atividade, e nela a pasta “Referências”. E durante essas férias, organizando meus arquivos, me deparei com quase a maioria das referências repetidas, era um vício, os mesmos projetos, as mesmas imagens quase sempre em todas as atividades, lá estava eu viciada em “utilizar” quase sempre as mesmas soluções.

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Apenas 7,2% das referências tornaram-se projeto.

As vezes penso que aceitaria entrar na faculdade de novo, agora, só pra fazer tudo diferente, mas ai lembro do TFG rs, vlw flw, me formei tá tudo lindo assim. Eu, lindamente de pijama, feliz, todos os dias em casa, escrevendo coisas aleatórias. Apesar disso dá saudade da faculdade, sabe aquele sentimento de (…)  então passou rs.

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Essa tal arquitetura foi um equívoco, na verdade. Atualmente procuro uma faculdade sobre The Sims. Obrigada.

E assim se passaram 5 anos, algumas referências carreguei do primeiro até o ultimo ano, sempre pensando “um dia vou usar isso”, convicta de que aquela era a solução ideal, apegada ao meu gosto pessoal.

É por esse motivo que o blog trata unicamente de arquitetura. Todos os demais desvaneios sobre decoração, arte design, tecnologia, fotografia, viagens e blablablá eu abro mão. (Afinal tem muitos sites competentes e experientes em fornecer esses conteúdos, e com uma qualidade incrível), eu sozinha mal consigo falar o mínimo de arquitetura, então contentem-se. E parem com esses pedidos:

“Ai fala de decoração, ai fala de viagens, ai fala do seu cachorro, ai fala da daquele make mara-vilhoso”

Obs: ainda não recebi nenhum pedido, mas já fica avisado, caso eu receba, um dia, quem sabe. É arquitetura, e só!

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A > aaaaa: micro in el todo por el todo – reflitam nessa imagem misterôsa e subliminar. Você ai que vai saltitando em blogs e mais blogs, achando que está abalando… para. Vai estudar, um pouco.

Então, em prol de uma ideia, em uma arquitetura potencializada, cá estou(?), exclusivamente inserida na esfera arquitetônica.(Aproveitando para compartilhar um pouco desses 26GB de coisas, e claro meus snaps, eu adoro snaps)

Por isso a lição aprendida hoje, por mim: quantidade quase nunca é melhor que qualidade!

(A não ser dinheiro, dinheiro é melhor em quantidade; e sono, sono também é bom em quantidade, quanto mais tempo melhor.)

É isso, tchauzinho.

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2 Respostas para “Infinidade vazia

  1. Lembrei do jargão “falou e disse”! Mas me senti um pouco velho 1 micro segundo depois. Mas realmente tudo o que você escreveu é verdade.
    Por vezes me pego divagando pela internet olhando referências pelas quais tenho gosto mas nem sempre consigo usar em meus projetos. Uma coisa que me ajudou muito é só procurar referências relacionadas ao projeto que estou fazendo e salvar tudo na pasta do projeto. Daí quando um novo projeto surge, novas referências. Pois se você sempre voltar para ver referências antigas para projetos parecidos, seus projeto nunca irá evoluir.
    E ai me lembrei de mais um jargão que diz que “na arquitetura nada se cria, tudo se copia”. Não é bem um fato que copiamos projetos uns dos outros, mas se a solução é boa, por que não a utilizar novamente? Dar uma “cara” diferente?
    É difícil criar algo do zero e referências projetuais são partes importantes no processo de criação. Hoje temos acesso a uma infinidade de informação na internet, difícil mesmo é filtrar aquilo que realmente importa ser lido e não ser deixado para depois.
    Também tenho uma lista de itens para “ler depois”…acho que tenho que parar de procurar coisas novas e dar conta das velhas….
    Vlw!

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  2. Acho que o segredo está no que você disse, um novo projeto, novas referências. Mas é engraçado como a gente se apega as mesmas soluções.

    E realmente na arquitetura nada se cria tudo se copia. Eu concordo e alias nem acho isso ruim, porque imagina a quantidade de solução arquitetonica que tem, é incrivel poder se inspirar nessa infinidade de coisas! E eu sinto que quando pegamos uma referencia e trazemos ela pra um projeto novo, ela se transforma junto, e isso pra mim é uma forma de evolução, eu gosto de depois avaliar como as referencias se transformaram depois de passar pelo meu processo criativo.

    Eu nao consigo eu salvo coisa nova todo dia! Preciso parar e focar nas 9850982093 coisas relevantes que estão esperando hahahaa.
    Mas é isso ia, pelo menos a consciencia de que eu estou em uma ‘infinidade vazia’ eu já tenho, agora é só lutar contra isso hhaah ;D

    Obrigada Hiroshi! Até, abss ;D

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