O conceito

A internet, ao meu ver, consolidou-se como uma das fontes mais importantes do conhecimento arquitetônico. Não por sua qualidade – devido seu caráter aberto, muitas vezes tratada de forma coloquial e pessoal, por suas fontes sem referências e principalmente pela ausência de um editorial de qualidade – fazendo com que os livros e revistas tenham a vantagem qualitativa.

Mas na questão quantitativa a internet é praticamente inalcançável, através dela é possível que o conhecimento arquitetônico se expanda além da fronteira do conteúdo físico. A interação global criada por ela permite a divulgação e difusão dos mais diversos segmentos, estilos e soluções arquitetônicas – sendo esse conteúdo disponível apenas à alguns cliques de distância, quase sempre gratuito.

Para nós estudantes e arquitetos, a origem da fonte inspiração torna-se indiferente, uma vez que a referência é concretizada em uma boa solução arquitetônica. O meio virtual presenteia-nos com a liberdade da pesquisa e a escolha sobre o que buscar – liberdade essa, privada muitas vezes pelo conteúdo impresso.

Porém uma fonte inesgotável de material e sempre disponível, induz o hábito de um estudo superficial, visando a quantidade de projetos vistos e com isso defasando qualidade desse estudo. Esse é um dos motivos pelo qual, ao meu ver, a internet ainda não atingiu seu total potencial e também ainda não é tão valorizada como referência nas universidades – a forma superficial com que se estuda a arquitetura disponível no meio virtual.

Tomo como exemplo a minha experiência. Conquistei uma biblioteca pessoal razoável, em cincos anos de curso coletando todo material interessante. Entretanto meu conhecimento não condiz com a quantidade de material que reuni – o motivo: ver e salvar todo conteúdo de forma aleatória não significou necessariamente que eu tenha absorvido todo material.

Partindo dessa premissa, com o tempo adquiri uma visão objetiva sobre o conteúdo virtual, e dessa visão a compreensão de um conceito: a absorção. A necessidade de absorver o conteúdo era primordial, a fim de garantir que o conteúdo fizesse parte não apenas da minha biblioteca pessoal, mas sim do meu conhecimento e do meu repertório arquitetônico.

Influenciada pelas teorias de decomposição das partes e os preceitos de uma arquitetura embasada na composição didática, respectivamente difundidos pelo De Stijl e pela arquitetura de Walter Gropius em especial no edifício da Bauhaus – surge o hábito de uma leitura projetual “decompositiva” e com ela o ato de “croquizar” como ferramenta.

Em uma analogia ao significado e conceito de absorção, pelo método a garantia de que a leitura projetual, antes feita de forma superficial e apenas visual, fosse transferida para o papel através do traço a mão livre – o meio fiel às ideias do arquiteto – diluída através do grafite para, por fim, ser absorvida.

O Arquitetura na Nuvem não tem a pretensão de competir com os grandes sites de arquitetura, já difundidos e consolidados como fonte de inspiração e referência, sendo também fonte para este blog. Como também não pretende priorizar o ritmo frenético de publicações o qual frisa a quantidade de projetos publicados.

Por fim, o Arquitetura na Nuvem busca um caráter pontual – a certo ponto específico, a fim de agregar o valor conceitual da absorção ao conteúdo compartilhado. Através da metodologia de releitura e análise, o conteúdo apresentado aqui tem a intensão potencializar a forma de estudar arquitetura disponível no mundo virtual e consequentemente colaborar para a formação do repertório arquitetônico do leitor.

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